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terça-feira, 25 de novembro de 2014

PRÊMIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS



O projeto Kalinka: Ciganos na minha escola, uma história invisível, ganhou hoje, no dia 24/11 o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos.




 - https://www.facebook.com/jean.wyllys/photos/a.201340996580582.48122.163566147024734/787498194631523/?type=3&permPage=1

Agora há pouco participei, como membro da comissão julgadora, da entrega do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos, na sede do Ministério da Educação. O Prêmio recebeu mais de 260 inscrições de todo o país, e, entre os finalistas, estavam Secretarias de Educação, projetos realizados em escolas públicas, particulares, os desenvolvidos como programas de formação, extensão e pesquisa, e também os desenvolvidos pela própria sociedade civil. Nesta última categoria, tive o privilégio de entregar o prêmio à KALINKA, pelo projeto "Ciganos na Minha Escola: Uma História Invisível", que usa a dança como forma de empoderamento da comunidade, da arte e da cultura cigana.

A noção de direitos humanos parte da ideia de que apesar de estarmos posicionad@s diferente na vida, há algo que é comum de todos nós: a humanidade. Parte da ideia de que devemos defender os direitos humanos de todas e todos e que eles pertencem a todas e todos, mas, infelizmente, não é assim que a banda toca. Algumas pessoas acham que justamente por conta da posição que uma determinada pessoa ocupa - seja pela etnia, procedência, idade, orientação sexual, identidade de gênero - essa pessoa não é humana e esta pessoa, portanto, é expulsa da comunidade de direitos. Por isto, fiquei feliz que a comissão julgadora premiou, entre outros, um projeto voltado para atender a população carcerária, pois é muito comum ouvirmos que direitos humanos são direitos de bandidos.

Como os direitos humanos são a cultura e precisam ser defendidos culturalmente, pela educação formal e também pela educação informal, quero parabenizar o Ministério da Educação e seus parceiros, além de todas e todos os participantes! Daqui fica meu desejo de que o prêmio sirva não apenas como o reconhecimento de um bom trabalho, mas que sirva também como combustível para novas ideias e novas iniciativas!








A AMSK aplicou para concorrer a 4º Edição do Prêmio e fomos premiadas com o !º lugar na Categoria Sociedade civil.

O projeto começou sua estrada em 2011 e hoje em 2014, comemoramos a consolidação de um “sonho”, um sonho possível.

 Flávia (AMSK), Márcia (AMSK), Idelí Salvati(Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) e a Profª Lucimara.(AMSK)

A melhor resposta continua sendo o trabalho.

Porque o racismo, a discriminação e a violação dos direitos básicos, não pode matar mais uma geração do povo rromani.



Homeopatas dos Pés Descalços

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Países comprometem-se a combater a nutrição inadequada através de políticas e ações concretas

Ministros e outros funcionários de alto escalão de 170 países aprovam a Declaração Política e o Quadro de Ação para combater a fome e a obesidade na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição.



A Declaração de Roma sobre Nutrição e o Quadro de Ação foram adotados nesta quarta-feira (19) na abertura da ICN2. Foto: FAO

Num passo importante para erradicar a desnutrição em todo o mundo, 170 países fizeram nesta quarta-feira (19) uma série de compromissos concretos e aprovaram várias recomendações sobre políticas e investimentos que visam a assegurar que todas as pessoas tenham acesso a dietas mais saudáveis e sustentáveis.
Ministros e altos funcionários responsáveis pelas áreas da saúde, da alimentação ou da agricultura, entre outros temas relacionados à nutrição, adotaram a Declaração de Roma sobre Nutrição e o Quadro de Ação, que estabelecem recomendações para políticas e programas para enfrentar as questões da nutrição em múltiplos setores. Isto aconteceu na abertura, em Roma, da Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2), organizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Declaração de Roma sobre Nutrição consagra o direito de todos ao acesso a alimentos seguros, suficientes e nutritivos, comprometendo os governos a prevenir a nutrição inadequada em todas as suas formas, incluindo a fome, as deficiências de micronutrientes e a obesidade.
O Quadro de Ação reconhece que os governos têm o papel e a responsabilidade principal de responder às questões e aos desafios nutricionais, em diálogo com um vasto leque de intervenientes – incluindo a sociedade civil, o setor privado e as comunidades afetadas. Com base nos compromissos, objetivos e metas contidos na Declaração, o Quadro recomenda 60 ações que os governos podem incorporar nas suas políticas nacionais de nutrição, saúde, agricultura, educação, desenvolvimento e investimento, e considerar na negociação de acordos internacionais para alcançar uma melhor nutrição para todos.
O diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, afirmou: “Temos o conhecimento, a experiência e os recursos necessários para superar todas as formas de nutrição inadequada”.
“Os governos devem liderar o caminho”, acrescentou. “Mas a pressão para melhorar a nutrição global deve ser um esforço conjunto, envolvendo organizações da sociedade civil e o setor privado.”
A Declaração de Roma e o Quadro de Ação “são o ponto de partida destes renovados esforços para melhorar a nutrição de todos, mas não são a linha de chegada. A nossa responsabilidade é a de transformar o compromisso em resultados concretos”, afirmou Graziano da Silva.
“Agora temos de redobrar os nossos esforços”, declarou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, num vídeo dirigido aos participantes da ICN2. “Aguardo com expectativa os compromissos nacionais que cada um de vós vai colocar em prática. Por sua vez, o Sistema das Nações Unidas compromete-se a fazer tudo o que for possível para prestar um apoio eficaz”, acrescentou.
A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, afirmou: “O sistema alimentar mundial, com a sua dependência na produção industrializada e nos mercados globalizados, produz amplamente alimentos mas cria alguns problemas para a saúde pública. Parte do mundo tem muito pouco para comer, deixando milhões vulneráveis à morte ou às doenças causadas por deficiências de nutrientes. Outra parte come em excesso, com a propagação da obesidade a fazer cair a esperança média de vida e a fazer subir os custos com cuidados de saúde para valores astronômicos.”

Metas específicas

O Quadro estabelece mecanismos de responsabilização eficazes, incluindo quadros de monitorização para acompanhar o progresso, bem como objetivos e metas de nutrição com base em indicadores acordados internacionalmente.
Os países signatários devem alcançar resultados concretos até 2025, incluindo as metas para melhorar a saúde nutricional materna, jovem e infantil, e para a redução de fatores de risco relacionados com os hábitos alimentares que provocam doenças não transmissíveis, como diabetes, doenças cardíacas e certos tipos de câncer.
Sistemas alimentares sustentáveis são fundamentais para promover uma alimentação saudável. Os governos são chamados a promover uma agricultura que melhore as dietas, através da integração de objetivos de nutrição na elaboração e implementação de programas agrícolas, que garantam a segurança alimentar e permitam uma alimentação saudável.
A Declaração e o Quadro são frutos de quase um ano de intensas negociações que envolveram representantes dos países-membros da FAO e da OMS. Os países reconheceram que, apesar dos importantes avanços que foram feitos na luta contra a desnutrição desde a primeira Conferência Internacional sobre Nutrição, em 1992, os progressos têm sido insuficientes e desiguais.
Embora a prevalência da fome tenha caído 21% desde 1990-1992, mais de 800 milhões de pessoas no mundo ainda passam fome. O atraso no crescimento – altura baixa proporcionalmente à idade – e o deficit de peso – peso baixo em relação à idade – também foram reduzidos, mas cerca de 161 milhões e 51 milhões de crianças menores de cinco anos, respetivamente, ainda eram afetadas em 2013. A desnutrição está associada a quase metade de todas as mortes de crianças menores de cinco anos de idade, cerca de 2,8 milhões por ano.
Mais de dois bilhões de pessoas são afetadas por deficiências de micronutrientes, ou “fome oculta”, devido à ingestão inadequada de vitaminas ou minerais. Enquanto isso, o fardo da obesidade está em rápido crescimento, com cerca de 500 milhões de pessoas obesas, e três vezes mais com sobrepeso. Cerca de 42 milhões de crianças menores de cinco anos já estão com sobrepeso. No Brasil, a obesidade atinge de mais de 50% da população.
Além disso, as diferentes formas de nutrição inadequada sobrepõem-se muitas vezes, com pessoas que vivem nas mesmas comunidades – às vezes até na mesma casa – a passar fome, com deficiências de micronutrientes e obesas. Em geral, metade da população mundial é afetada por algum tipo de nutrição inadequada.

Sistemas alimentares sustentáveis para uma alimentação saudável

O papel dos sistemas alimentares – a forma como os alimentos são produzidos, processados, distribuídos, comercializados e preparados para o consumo humano – é crucial na luta contra a nutrição inadequada. Muitas das recomendações adotadas pelos ministros atualmente procuram promover sistemas alimentares mais sustentáveis e dietas diversificadas e saudáveis.
Para este fim, os governos são incentivados a reforçar a produção e o processamento dos alimentos a nível local, principalmente por pequenos produtores e agricultores familiares, com especial atenção para o empoderamento das mulheres.
Embora uma abordagem aos sistemas alimentares seja importante, também são necessárias ações complementares em outros setores. Estas incluem educação e informações nutricionais, as intervenções nutricionais diretas por parte do sistema de saúde – como o aconselhamento e apoio à amamentação, a gestão da desnutrição aguda ao nível comunitário e o fornecimento de suplementos de ferro e ácido fólico para mulheres em idade reprodutiva –, e outros serviços de saúde para promover a nutrição, o acesso a água, saneamento e higiene, a segurança alimentar, a proteção social, o comércio e os investimentos internacionais.

Medidas direcionadas às mães, bebês e crianças

A nutrição inadequada dói mais nas primeiras fases da vida. Os países precisam, portanto, direcionar medidas especiais no sentido de abordar as necessidades nutricionais das mães antes e durante a gravidez, e dos bebês durante os “primeiros mil dias”, desde a concepção até os dois anos de idade. Assim, é fundamental, promover e apoiar o amamentação materno exclusivo por seis meses, e a continuação da amamentação até dois ou mais anos de idade.
Apela-se para que os governos eduquem e informem os cidadãos sobre as práticas alimentares mais saudáveis, além de introduzir medidas de proteção social, como os programas de alimentação escolar, para garantir dietas nutritivas aos mais vulneráveis. As iniciativas para combater a obesidade devem ser reforçadas pela criação de ambientes saudáveis que também promovam a atividade física desde tenra idade.
Para garantir o acesso universal a uma alimentação saudável, os governos devem incentivar a a redução de gorduras trans, gorduras saturadas, açúcares e sal nos alimentos e bebidas, e a melhoria do conteúdo nutricional dos alimentos através de instrumentos regulatórios e voluntários.
A Declaração de Roma convida também os governos a regular a comercialização das fórmulas infantis e a proteger os consumidores, especialmente as crianças, em relação ao marketing e publicidade de alimentos e bebidas não saudáveis.
Atualmente, há uma compreensão mais clara da natureza complexa dos efeitos de uma nutrição inadequada, e já se sabe o que é necessário para enfrentar os seus múltiplos desafios. Os problemas globais de nutrição requerem soluções globais, e a nutrição merece mais atenção na agenda internacional de desenvolvimento.
O Quadro de Ação da ICN2 estabelece estratégias, políticas e programas que precisam de ser implementados para “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição”, de acordo com a agenda de desenvolvimento das Nações Unidas para o pós-2015.
Os países recomendaram que a Assembleia Geral da ONU endosse a Declaração de Roma e o Quadro de Ação e considerem declarar 2016-2025 como a Década de Ação para a Nutrição.
 
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